Oferta de caronas também é realidade entre motoristas de carros elétricos

pessoas de carona na blablacar

Em 2017, as vendas de carros movidos a eletricidade bateram novo recorde no mundo: foram mais de 1 milhão de veículos elétricos e híbridos comercializados, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), sendo a China o principal mercado e a Noruega o país onde esse tipo de veículo representa o maior percentual de vendas (39%).

Embora esses números ainda estejam longe de ser realidade no Brasil, o cenário é otimista: dos cerca de 3 mil carros elétricos emplacados no país em 2017*, devemos saltar para 100 mil em 2026**. A tendência é que os modelos desse tipo cheguem a preços mais acessíveis em relação ao que vemos hoje - principalmente depois da aprovação do programa Rota 2030, nova política industrial para o setor automotivo, que deve favorecer esse movimento ao reduzir o IPI de veículos híbridos e elétricos.

Enquanto o mercado espera essas mudanças, uma parte dos brasileiros começa a experimentar a nova tecnologia, que surgiu com a proposta de diminuir a emissão de gases poluentes na atmosfera. Alguns desses usuários, inclusive, já estão nos sites de caronas - um hábito cada vez mais comum entre os usuários de carros com motor a combustão, por causa da economia gerada pelo compartilhamento. Entre os gastos com um carro, é preciso levar em conta manutenção, seguro entre outros itens, incluindo o combustível. Mas se uma parcela desses custos é reduzida - com álcool ou gasolina -, o que leva um proprietário de veículo elétrico a oferecer carona?

O paulistano Lucas Madureira dos Anjos, 33 anos, é usuário da plataforma de caronas BlaBlaCar desde 2016. Ele possui um Toyota Prius e afirma que oferece carona para combater o sono quando precisa pegar a estrada sozinho, geralmente no trajeto de São José do Rio Preto para Ribeirão Preto. “Como viajo com certa frequência, sempre que tenho oportunidade, ofereço carona”. No modelo Toyota Prius,  que é um carro híbrido, existem dois motores: um elétrico e um a combustão, que podem trabalhar de maneira isolada ou em conjunto.

Mas nem todos os modelos funcionam assim; existem aqueles que são 100% elétricos, como é o caso do BMWi3, que necessita de tomada elétrica. O condutor Leonardo Coelho, proprietário desse modelo, possui uma tomada própria para conseguir carregar o motor num curto espaço de tempo, já que em uma tomada convencional leva até 6h. Também usuário da BlaBlaCar, ele usa a plataforma de caronas, oferecendo seus assentos livres entre Jaguariúna e São Paulo.

Se Leonardo tivesse que pegar a Rodovia Presidente Dutra, não precisaria se preocupar com a carga da bateria, pois a via já conta com seis postos de recarga desde julho deste ano, em uma iniciativa da empresa do setor elétrico EDP com a BMW e a rede de postos Ipiranga.

Um dos principais motivadores do uso de veículos elétricos é a redução da emissão de poluentes. A carona solidária, por sua vez, além de ajudar nessa parte, colabora também com a mobilidade urbana, uma vez que estimula a diminuição de carros nas ruas, e com a economia compartilhada.

No Brasil há quase três anos, a BlaBlaCar possui uma comunidade de mais de 2,5 milhões de membros que, juntos, já criaram mais de 40 mil rotas. A plataforma facilita a viagem ponto a ponto, contribui para a redução de custos e do número de carros na estrada.

* Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a venda de elétricos ou híbridos no Brasil representa apenas 0,05% do total, com 3.296 carros emplacados em 2017.

** A previsão é que esse índice chegue a 100 mil elétricos nas ruas do país em 2026. Dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores)

Juliana Prando

Jornalista pela PUC-SP

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